Interação Humano Computador

Com a evolução das tecnologias e o avanço da globalização, os sistemas computacionais tornaram-se mais populares, isto é, a diversidade de pessoas que passaram a ter acesso a estes sistemas cresceu e continua crescendo a cada dia. Além disso, surgiram sistemas mais complexos, e consequentemente, estes passaram a necessitar de interfaces mais amigáveis ao usuário. Neste contexto de novas tecnologias, aplicações para dispositivos móveis estão cada vez mais presentes na vida das pessoas, e com isso surge o desafio de desenvolver sistemas fáceis de usar e de aprender e que seja acessível para todos.

Em (WASSERMAN, 2010, Software engineering issues for mobile application development) o autor afirma que “A menor tela, e diferentes formas de interação com o usuário também tem um forte impacto no projeto de interfaces de interação para aplicações móveis, que por sua vez tem uma forte influência no desenvolvimento de aplicações”.

A área da computação que estuda o processo de interação dos usuários com os softwares é a IHC, ou seja, Interação Humano-Computador. Assim, ela dedica-se em analisar e avaliar todo o processo cognitivo desprendido pelo usuário ao interagir com um dado sistema. Logo, a realização deste processo de análise e avaliação, traduz-se em benefícios para o próprio sistema e para a empresa idealizadora dele, tais como: (i) aumento de produtividade do usuário, (ii) redução do número e da gravidade de erros cometidos pelos usuários, (iii) redução de custo de treinamento, (iv) redução de custo de suporte técnico e (v) aumento nas vendas e fidelidade do cliente. Tudo isso acaba refletindo em qualidade de uso para os softwares.

Os métodos mais utilizados para a avaliação da comunicabilidade de sistemas pertencem a duas categorias distintas, sendo elas:

  • Métodos de Inspeção: onde os avaliadores se portam como usuários comuns do sistema; assim, estes buscam identificar potenciais problemas que os usuários reais poderão vir a ter.
  • Métodos Empíricos: através da coleta de dados a partir da utilização do sistema por usuários reais; logo, esta maneira de avaliação permite identificar problemas concretos que os usuários enfrentaram em suas interações com o sistema.

Para a avaliação de acessibilidade de softwares encontra-se disponível algumas ferramentas no mercado, tanto versões pagas quanto gratuitas. Uma destas é a Ases/Da Silva, ferramenta gratuita disponível em duas versões: desktop e web, respectivamente.

Após tudo o que foi exposto anteriormente, podemos perceber a importância e a necessidade de avaliar sistemas, uma vez que há métodos e técnicas que nos permitem identificar problemas oriundos da utilização do sistema por seus respectivos usuários, e posteriormente, a atualização ou modificação do sistema para que o mesmo possa atender aos padrões de qualidade de uso esperados pelos seus usuários.

Os objetivos deste post são: (i) avaliar a comunicabilidade do sistema em foco, através de um método empírico, o MAC _ por permitir a participação de usuários reais, refletindo casos de usos e problemas verídicos do sistema; e (ii) avaliar a acessibilidade, através das ferramentas Ases/DaSilva _ que fornece meios para avaliar a acessibilidade de web sites, em vários contextos desta categoria.

Métodos Utilizados

MAC

O Modelo de Avaliação de Comunicabilidade (MAC) é um método da categoria de métodos empíricos, ou seja, utiliza usuários reais do sistema para avaliar a qualidade da comunicação do designer do sistema para seus respectivos usuários. Ressaltando que o MAC está centralizado em realizar um estudo qualitativo, onde realiza uma análise profunda da interação usuário-sistema. Para tanto, este é fundamentado na Engenharia Semiótica _ assunto abordado durante a disciplina de IHC. Com isso, o mesmo consegue identificar os problemas aos quais estes usuários estarão sujeitos ao usarem o sistema _ rupturas de comunicação.

O MAC encontra-se estruturado em cinco (05) atividades; as quais são apresentadas e explicadas abaixo:

Preparação

Nesta etapa é realizado a inspeção e estudo do sistema a ser avaliado; seguido da identificação do foco sobre o qual a avaliação será feita. É nesta etapa que é identificado o perfil do usuário e a seleção destes para a avaliação, além da definição das tarefas a serem realizadas por estes. É selecionado o material a ser utilizado durante o processo (ferramentas de suporte) e é realizado o teste-piloto.

Coleta de Dados

É realizado o processo de avaliação do sistema em estudo com cada usuário, onde é observado e registrado a interação do usuário com o sistema (produção de vídeo).

Interpretação

Nesta etapa o avaliador realiza a etiquetagem dos vídeos de cada participante, identificando as rupturas de comunicação _ problemas encontrados na interação do usuário.

Consolidação dos Resultados

Interpretação do conjunto das etiquetas dos vídeos das interações de todos os participantes do processo, isto é, avalia a comunicabilidade do sistema em função das rupturas de comunicação identificadas durante a avaliação. É também elaborado o perfil semiótico, para identificar e explicar os problemas semióticos encontrados no sistema; e informar o reprojeto de interface de modo a corrigi-lo.

Relato dos Resultados

É relatado o processo pelo qual se deu a avaliação do sistema, como o objetivo da avaliação, número e o perfil dos participantes e avaliadores, as tarefas realizadas, problemas de comunicabilidade encontrados, sugestões de melhoria, etc.

Ases/Da Silva

A Ases, ou Avaliador e Simulador para Acessibilidade de Sítios, é uma ferramenta desenvolvida em conjunto pelo Departamento de Governo Eletrônico e a OSCIP Acessibilidade Brasil, com o propósito de avaliar, simular e corrigir a acessibilidade de web sites. Assim, busca avaliar se estes web sites estão dentro dos princípios de acessibilidade preconizados pela lei federal de acessibilidade (Lei no. 10.098, de 19 de dezembro de 2000), que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção de acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências. Assim, ela apresenta algumas funcionalidades interessantes, tais como as citadas abaixo:

  • Simuladores: responsável por apresentar casos de uso do sistema do ponto de vista de pessoas com algum tipo de deficiência. Alguns tipos de deficiência que a ferramenta dá suporte são catarata, glaucoma, miopia, etc.
  • Avaliadores: responsável por avaliar se um sistema está de acordo com um conjunto de regras. No caso do nosso estudo, tal será utilizado para avaliar se o sistema em foco dá suporte às regras de acessibilidade previstas pelas leis que regulamentação a federação brasileira.

A ferramenta Da Silva tem as mesmas funcionalidades oferecidas pela Ases se tratando do avaliador de acessibilidade leitor de tela. A diferença principal é que a primeira oferece um modo de apresentação dos resultados de maneira mais didática. No caso, além de apresentar os problemas encontrados, apresenta também a linha referente a estes no texto HTML e breves pontos de verificação/recomendações.

Termo de consentimento

Exemplo do termo de consentimento livre e esclarecido utilizado nesta abordagem.